Adolescente com autismo escreve livro em um dia e usa história para falar sobre bullying e superação: 'Externar o que sinto'

  • 02/04/2026
(Foto: Reprodução)
Adolescente com TEA escreve livro de 62 páginas em um dia relatando bullying e superação em Tatuí (SP) Arquivo Pessoal Em apenas um dia, um estudante de 13 anos de Tatuí (SP) escreveu um livro de 62 páginas, com uma narrativa que mistura ação, ficção científica e fantasia para abordar temas como identidade, autoconhecimento e superação. "Blacknight" conta a história de Eddie, um jovem que enfrenta bullying e isolamento escolar até se deparar com uma versão oposta de si mesmo em um universo sombrio. A obra foi desenvolvida a partir de vivências do autor, Brian Pietro Telles Coelho, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Mas esta não foi o primeira - e nem deve ser a última - história desenvolvida pelo adolescente. Ao g1, a mãe de Brian, Agnes Natacha Telles Coelho, conta que a escrita o acompanha desde os sete anos, antes mesmo do diagnóstico de autismo, e tem sido uma importante aliada em seu desenvolvimento. "Aos sete anos, ele começou a fazer seus quadrinhos, criando seus personagens. Tanto eu quanto meu esposo sempre o incentivamos, mesmo sem saber que ele era autista. Percebíamos que havia muitas coisas que não eram comuns para uma criança, mas ainda não entendíamos. O diagnóstico chegou quando ele estava com 11 anos e meio", relata. A família se mobilizou para comprar um computador, permitindo que o menino ampliasse a escrita. Dos quadrinhos, vieram os primeiros textos mais longos, até chegar aos livros. Foi por meio do projeto "Autistas também têm o dom da escrita" que Brian conquistou a primeira publicação, com a obra "Blacknight". Adolescente com TEA transforma vivências em livro e vence concurso literário em Tatuí (SP) Arquivo Pessoal Agnes conta que se surpreendeu ao ler a história, pois percebeu que o filho retratava situações de violência que já havia enfrentado no ambiente escolar. "É tudo que ele viveu e vive de certa forma. Isso me preocupa, de certa forma. Porque eu sempre falo que ensino ele e meu outro filho a viver sem mim, porque não somos eternos. Então, a gente fica com receio do que ele possa enfrentar de preconceito no mundo. Quando li, me emocionei muito, porque ali ele colocou a realidade de muitas pessoas que, por serem vistas como diferentes, acabam sofrendo", desabafa. Para a mãe, a coragem de Brian em expor as próprias vivências também o transforma em uma voz para quem enfrenta preconceito e bullying. "Quando li o livro, entendi que ele estava falando dele mesmo. Percebi que, muitas vezes, os adolescentes se calam, mas a dor é mais profunda do que demonstram e acaba atingindo todos ao redor. Ver ele se superando, dando a volta por cima, é motivo de muito orgulho para nós", afirma Agnes. Além das próprias vivências, Brian encontra inspiração em filmes e histórias de super-heróis, seu gênero favorito. Foi nesse universo que criou, ainda nos quadrinhos, o personagem Voltz. Ao todo, o adolescente afirma já ter produzido 36 obras. "Eu fazia as minhas próprias histórias em quadrinhos, com papel e lápis. Eu gosto de heróis. A minha primeira criação foi o Menino-Raio, que agora não é Menino-Raio, mas Voltz, eu mudei o nome. Ele é protetor de corações, digamos assim." Escrever histórias em quadrinhos é uma das maiores paixões de Brian. Ele criou o personagem Voltz, um super-herói que protege corações Arquivo Pessoal Já a ideia para a narrativa de "Blacknight" surgiu durante uma conversa com um amigo. "Eu falei para ele: 'Imagina essa sombra sendo uma versão de nós', Aí ele falou: 'Tomara que a minha versão sombra seja maior que eu'. Aí eu fiquei com essa memória na cabeça e comecei a escrever. A sombra é tipo uma versão oposta do Eddie. É o amor que o protagonista teve medo de sentir, a raiva que ele guardou, os medos, as inseguranças que ele teve", explica o escritor. Ajuda essencial da professora Na Escola Estadual PEI "Chico Pereira", em Tatuí, Brian contou com o apoio da professora da sala de recursos, Maria Cristina Manis, que aponta como a escrita tem sido fundamental para que o menino expresse seus sentimentos. "Sou professora da Educação Especial e estou com o Brian há quase dois anos. Sabia que ele fazia algumas histórias em quadrinhos, mas até então, não o conhecia muito bem. Quando começamos os atendimentos, percebi que era retraído e não gostava de expressar suas ideias e sentimentos em conversas", explica a professora. Foi o menino que contou para ela sobre a construção da história. Ela diz que ficou tão surpresa com a qualidade do trabalho de Brian que chegou a pesquisar para confirmar a autoria. "Pesquisei para ter certeza que o texto era dele mesmo. Ao fazer uma leitura mais atenta, vi que muito do personagem principal e demais, tinha a ver com sua própria vida escolar. Foi aí que percebi a escrita é a sua forma de expressar ideias, emoções, sentimentos e a vontade de ser parte integrante de uma 'turma'", aponta. LEIA TAMBÉM: Diagnóstico de TEA e preconceito: terapeuta e jornalista contam desafios de viver com autismo no interior de SP Projeto de Itapetininga incentiva comunidades vulneráveis a escrever livros pelo mundo: 'Histórias que nunca vou esquecer', diz idealizador Após diagnóstico de autismo tardio, jovem cria sebo que beneficia famílias atípicas no interior de SP A professora decidiu ajudar o estudante a dar forma ao livro. Auxiliou na revisão, na organização do índice e chegou a imprimir algumas cópias para apresentação na escola. "Começamos a fazer juntos a leitura, numerar páginas, preparar índice e colocar títulos em cada capítulo. Assim, consegui me aproximar mais dele e desenvolver um trabalho mais consistente, uma amizade com Brian e toda sua família." “O sonho do Brian passou a ser o nosso sonho. Mostrar para a sociedade que não existem limitações e que a inclusão derruba barreiras, desde que haja união entre vontade e apoio”, completa a profissional. Segundo a prefeitura, o edital contou com uma vaga específica para alunos da rede de ensino, o que possibilitou a publicação de Brian, o primeiro estudante contemplado nessa categoria. A entrega oficial da versão impressa do livro ocorreu em 24 de março, com a presença de familiares e representantes da Secretaria de Cultura. Obra de Brian foi contemplada pelo edital “Publicação de Livros”, promovido pela Prefeitura da Estância Turística de Tatuí (SP), no projeto “Autistas também têm o dom da escrita” Prefeitura de Tatuí/Divulgação Para o adolescente, a conquista veio como uma surpresa. Ele conta que não esperava publicar um livro físico e afirma que a escrita é sua principal forma de expressão. "A escrita é a forma que encontrei de externar o que sinto." 'Pessoas capazes' A mãe, dona de casa, e o pai de Brian, Cosme Coelho da Costa, que trabalha como frentista, acreditam no futuro promissor do filho, que desde a infância afirma, com convicção, que quer ser escritor. "Ele fala que tem o sonho de fazer uma faculdade voltada para isso. Escrever roteiros para filmes, séries. Ele também escreve músicas. Ele gosta bastante." "Lutamos todos os dias para que [os autistas] sejam vistos pela sociedade como pessoas capazes. O autismo não é fácil, mas é cheio de vitórias, e ver o sonho do meu filho sendo realizado é algo muito emocionante", completa a mãe. Brian com a família, que mora em Tatuí, no interior de São Paulo. Pais incentivam o menino a usar a escrita para se expressar Arquivo Pessoal 📚 Lançamento em Tatuí Brian, de 13 anos, convida para o evento de lançamento de seu livro em Tatuí O lançamento de “Blacknight” está marcado para o dia 11 de abril, às 11h, na Praça da Matriz, em Tatuí. O evento integra as ações de conscientização sobre o autismo no município e marca a estreia literária do jovem autor, além de reforçar a importância da inclusão e do incentivo à produção cultural local. Mesmo se considerando tímido, Brian superou a própria vergonha e gravou um vídeo convidando o público para o lançamento do livro. Assista acima. Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/04/02/adolescente-com-autismo-escreve-livro-em-um-dia-e-usa-historia-para-falar-sobre-bullying-e-superacao-externar-o-que-sinto.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. Raridade

Anderson Freire

top2
2. Advogado Fiel

Bruna Karla

top3
3. Casa do pai

Aline Barros

top4
4. Acalma o meu coração

Anderson Freire

top5
5. Ressuscita-me

Aline Barros

Anunciantes